Sopa de siglas: como ler rótulos de azeite e evitar pegadinhas

Baixa a temperatura, aumenta a vontade de uma boa sopa. Sopa, pão, azeite, vinho e amigos – é juntos e shallow now! E para a sorte dos brasileiros, nossos azeites estão no auge do seu frescor, já que a extração terminou em março, os azeites foram decantados e filtrados e estão chegando às gôndolas.

Ou não. Dei uma volta por algumas boas lojas de São Paulo faz menos de um mês e encontrei azeites da safra passada, extraídos em 2018. De acordo com o rótulo, eles estão dentro da validade de 24 meses. Mas já estão envelhecidos e não faz sentido compra-los se temos azeite novo à disposição.

O que acontece com um azeite quando ele envelhece?

Muita gente se acostumou a comprar azeites levando em conta a baixa acidez. O post mais acessado do 1LA é aquele em que eu explico que acidez não é o único parâmetro de qualidade de um azeite. Uma coisa que não contei nesse post é que a acidez é um parâmetro químico razoavelmente estável, que não varia com o tempo. Ou seja, é um excelente indicador de qualidade na extração, mas não conta nada sobre o envelhecimento do azeite. Logo abaixo da acidez, nos rótulos, aparece um item chamado “Índice de Peróxidos” e esse, sim, conta bastante sobre a evolução do azeite.

O que são os peróxidos?

Peróxidos são uma espécie de bola de cristal para se prever como um azeite vai se degradar. Simplificando bastante, são os primeiros elementos que surgem quando um azeite começa a se oxidar. O valor dos peróxidos aumenta, chega a um pico e depois diminui. E não diminui exatamente porque os peróxidos desaparecem. Pelo contrário, eles se degradam mais ainda e dão origem a aldeídos e cetonas, que são os responsáveis pelo sabor rançoso de azeites velhos. Ou seja, se o índice de peróxidos já está alto no início, é possível prever que o azeite vai se degradar mais rápido.

Tem peróxido no meu azeite?

Sempre tem, porque o processo de evolução química nunca para (usei evolução química só para evitar a palavra “degradação”, mas foi um eufemismo meu). O limite máximo, previsto em lei, para peróxidos em um azeite é 20 meqO2/kg (miliequivalentes de oxigênio por quilo). Um bom azeite tem menos que 12. Um excelente azeite tem menos que 8.

Como está o índice de peróxido dos azeites brasileiros?

Está uma maravilha. Escolhi aleatoriamente três garrafas de azeite brasileiro da safra 2019. O azeite Sabiá da Mantiqueira tem um índice de peróxidos de 1,38. O Olivas do Sul, que estampa esse índice na parte da frente do rótulo, 2,89. O Costa Doce, 3,97. Todos, portanto, bem abaixo do valor de referência de 20 meqO2/kg.

Olha a pegadinha do peróxido!

Para comparar, peguei um azeite português que eu gosto bastante e verifiquei o rótulo. O índice de peróxidos está apenas indicado como igual ou menor ao 20. Ou seja, dentro dos parâmetros exigidos pela lei, mas não ajuda a entender a qualidade do azeite. E aqui é importante pensar pelo lado do produtor: às vezes ele precisa economizar na impressão dos rótulos e em vez de imprimir uma tiragem para cada índice, imprime uma quantidade grande apenas especificando o valor de igual ou menor que 20 meqO2/kg.

Olha a pegadinha do rótulo!

Não há exigência legal para data de validade no rótulo dos azeites. O prazo que consta no rótulo, normalmente de 24 meses, é apenas uma convenção adotada por produtores. Na mesma garrafa do Costa Doce que está à minha frente, o prazo de validade é de 12 meses (vale lembrar que o escoamento da produção atendendo às demandas do mercado e contando com uma única safra por ano é um dos maiores dilemas dos olivicultores). Melhor que olhar validade, é olhar a data de extração para garantir que está comprando azeite bem jovem.

O que eu faço com isso?

Faça sopa e use o azeite mais jovem que você puder ter em mãos! Sirva a sopa com pão, vinho e conte para os amigos o que são os peróxidos.

Veja as receitas de sopa que já publiquei por aqui:

Sopa cremosa de milho

Sopa de alho-poró com cerveja

Sopa de abóbora australiana

Sopa de grão-de-bico com limão

Avgolemono

Onde encontrar os azeites brasileiros premiados em NY

 

Foram quase 1.000 azeites de 26 países avaliados em 5 dias. O júri do NYIOCC vem de 13 países diferentes, o que garante equidade na avaliação sensorial. Foi uma honra representar o Brasil junto a um time que é a elite dos degustadores de azeite no mundo. E justamente no ano em que o Brasil teve o seu melhor resultado, com 11 prêmios, quase o dobro do ano passado.

Veja a seguir os azeites que ganharam medalhas em 2019. Quer conhecer outros azeites brasileiros? É só consultar o Guia de Azeites do Brasil.

Prosperato

Muito antes de produzir azeite, a Tecnoplanta, que é a maior produtora de mudas de eucalipto do mundo, já produzia mudas de oliveira. A empresa implantou os primeiros olivais em 2005, buscando uma diversificação dos negócios e, ao prensar as primeiras azeitonas, apaixonou-se pelo produto. À frente do lagar está Rafael Marchetti, jovem de uma geração que, no mundo inteiro, tem se voltado para a produção de alimentos de qualidade. Essa paixão se traduziu em um azeite que recebeu, apenas em 2018, mais de 15 prêmios internacionais. No Empório Prosperato, que fica junto ao lagar, no km 328 da BR 290, é possível encontrar os azeites e também outros produtos da região.

Resultado no NYIOOC 2019

Medalha de ouro e Best in Class pelo Prosperato Premium Blend (Blend Médio)

É o segundo azeite brasileiro que conquista a principal medalha do New York International Olive Oil Competition, o Best In Class pelo seu blend.

Onde encontrar:

https://emporio.prosperato.com.br/ 

Costa Doce

Costa Doce é mais um dos azeites brasileiros que vem discretamente chamando a atenção nos prêmios internacionais. Em 2018 a marca conquistou medalha de ouro no Terraolivo em Israel, com o blend médio e o Gran Prestígio de Ouro com o blend intenso, no mesmo concurso, além de outros prêmios na Itália. O olival começou a ser implantado em 2013, numa propriedade que já conta com outras culturas, e o lagar começou a funcionar este ano, garantindo maior rapidez no processamento das azeitonas. O proprietário é descendente de família italiana e reuniu o espírito empreendedor com o gosto pelo azeite e a disponibilidade de terras com clima adequado para o cultivo.

Resultado no NYIOOC 2019

Medalha de Ouro Monovarietal Médio pelo Costa Doce Premium Koroneiki

Medalha de Ouro Blend Médio pelo Costa Doce Médio

Medalha de Prata Blend Médio pelo Costa Doce Intenso

Onde encontrar:

https://www.olivascostadoce.com.br/ondecomprar

Olivas do Sul

A família Aued é uma das pioneiras na produção de azeite no Rio Grande do Sul, com pomares implantados desde 2006 e uma ampla experiência acumulada no cultivo, extração e também na produção de mudas de oliveira. Seu olival inclui variedades únicas, como as italianas moraiolo e leccino e a grega kalamata, própria para a produção de azeitonas de mesa. O pomar de Encruzilhada do Sul ganhou o prêmio de Pomar Modelo, da Assembleia Legislativa do RS e, desde 2016, está sendo feita a implantação de um novo pomar na promissora região de Encruzilhada, onde o lagar contará com infra-estrutura para receber turistas. A região conta com uma bela geografia, águas cristalinas e uma diversidade de fauna e flora.

Resultado no NYIOOC 2019

Medalha de Prata Blend Médio pelo Olivas do Sul Blend Riserva D’Oro

Onde encontrar:

http://www.olivasdosul.com.br/loja-online/2/azeites

Verde Louro

A Fazenda Mato Grande está entre as maiores produtoras de azeite no Brasil, com um pomar que inclui as variedades arbequina, arbosana, frantoio, koroneiki, picual e manzanilla. Possui um lagar próprio, que pode ser visitado com o acompanhamento de um agrônomo que explica sobre o cultivo a extração do azeite. Além da qualidade do azeite, o Verde Louro destaca-se pelas elegantes garrafas importadas da França.

Resultado no NYIOOC 2019

Medalha de Ouro Monovarietal Delicado pelo Verde Louro Arbequina

Medalha de Ouro Monovarietal Médio pelo Verde Louro Koroneiki

Medalha de Ouro Monovarietal Médio pelo Verde Louro Arbosana

Onde encontrar

https://loja.verdelouroazeites.com.br/

Casa Mantiva

Um velho ditado diz que o olho do dono é que engorda o gado. Os proprietários da Casa Mantiva, decidiram, além de produzir leite, cultivar oliveiras, mas com uma regra: todo o processo deveria ser acompanhando diretamente por eles mesmos, garantindo a qualidade do plantio até a extração do azeite.

A fazenda possui 10 nascentes e 30% da mata nativa e o projeto de olivicultura, que acompanha a produção de queijo e de lúpulo foi implantado para atender ao desejo de exercer uma atividade que integrasse benefícios ambientais, econômicos e sociais. O lagar fica junto ao olival, que conta com 8.000 árvores das variedades arbequina, arbosana, grappolo, koroneiki e maria da fé.

Resultado no NYIOOC 2019

Medalha de Ouro Blend Médio pelo Reserva Mantiva

Onde encontrar:

https://www.facebook.com/pg/casamantiva/about/

Irarema

Mesmo que não produzisse azeites premiados, a Fazenda Irarema já seria um destino de visita obrigatório. A casa da sede, construída no final do século XIX, ainda é a residência dos proprietários que, em 2015 e converteram as plantações de café em olivais. Uma foto do século passado mostra Santos Dumont na varanda de casa (que ainda está intacta). Moacir Carvalho Dias é um olivicultor dedicado e está sempre presente para receber os visitantes, contar a história da fazenda e conduzir os passeios e a degustação. É um mestre lagareiro habilidoso que, na sua primeira extração de azeite em 2018, já conquistou o prêmio Best In Class para blends suaves no New York Olive Oil Contest. A fazenda também extrai óleos essenciais, destinados para aromatização de azeites e para a fabricação de sabonetes e cosméticos. Reserve um tempo para curtir o belíssimo café, onde também são vendidas especialidades da região.

Resultado no NYIOOC 2019

Medalha de Ouro Blend Médio pelo Irarema

O Irarema foi o primeiro azeite a conquistar um Best in Class em NY, em 2018.

Onde encontrar:

https://www.facebook.com/fazendairarema/

Para conhecer todos os azeites premiados, visite o https://bestoliveoils.com/

Cinco livros para saber mais sobre azeite

Extravirgindade: o sublime e escandaloso mundo do azeite de oliva

Escrito pelo jornalista norte-americano Tom Mueller em 2011, o livro aborda o lado obscuro do mundo do azeite, um alimento que está na lista dos dez mais falsificados no mundo. Mas é, acima de tudo, um relato de um apaixonado pelo azeite.

 

Azeitonas: vida e saga de um nobre fruto

O livro é de 1996 e o autor, Mort Rosenblum, percorre o mundo conhecendo olivicultores e conhecendo antigas tradições, além de tentar ele mesmo produzir azeite em uma pequena propriedade da Provence, na França. A edição brasileira contém alguns erros de tradução.

 

Il Mondo dell’olio: storia, produzione, uso in cucina dell’extravergine

Publicado pelo Slow Food em 2017, é um livro voltado para a produção italiana. A edição é bem cuidada e o texto abrange do cultivo ao consumo. Ainda sem tradução em português.

 

O azeite na cultura e no património alimentar

A obra de Manuel Paquete é de 2013 e aborda o cultivo  em Portugal. Aprendi muito com esse livro, que apresenta muitas tradições e receitas antigas ligadas ao consumo do azeite.

 

O Guia de Azeites do Brasil

Já temos azeites brasileiros há alguns anos, mas toda semana (literalmente) encontro alguém que se surpreende quando eu conto que escrevi um guia dos azeites produzidos por aqui. O guia pode ser comprado direto no site da Editora Livrobits.

Com que garoupa eu vou: um papo sobre azeite com a turma do Maní

Neste sábado, a convite do restaurante Maní, dei uma aula sobre azeites para os trainees do programa Lab.Maní, um curso que dura que 04 meses e que treina cozinheiros em todas as etapas da cozinha do restaurante. O programa já está na 15ª turma e as inscrições abertas para as próximas turmas estão abertas. Eu confesso que tenho muita vontade de participar como aluno. O Maní é um restaurante contemporâneo premiadíssimo, que fica em São Paulo. A chef, Helena Rizzo, já foi eleita a melhor chef do mundo.

O objetivo do nosso primeiro encontro foi começar a treinar os cozinheiros para reconhecer o que é um bom azeite, além de pensar nas suas possibilidades de uso. Compartilho abaixo algumas ideias que trocamos na aula.

Rótulo não define a qualidade

Os rótulos, de maneira geral, seguem a legislação vigente. Mas o simples fato de obedecer a parâmetros legais de rotulação não é suficiente para atestar as qualidades organolépticas de uma marca. Na aula, experimentamos um azeite libanês que, se foi bom um dia, nunca saberemos. A garrafa transparente e o longo caminho que esse azeite percorreu até chegar ao Brasil fez com que ele já estivesse completamente rançoso. Ou seja, é preciso treinar o nariz e criar um repertório.

Azeite sem filtro

No Brasil, há muitos produtores que apostam em azeites não filtrados. Neste caso, o sabor é bem mais marcante, mas as micropartículas que ficam presentes no óleo vão acelerar os processos enzimáticos de degradação. Para não filtrados o prazo de validade é menor. O prazo legal continua sendo de dois anos, mas a essa altura ele já não vai estar gostoso e vai ter perdido os benefícios que tem para a saúde.

Com que garoupa eu vou

A regra básica de escolha de azeites para um prato é a harmonização entre a intensidade do prato e a intensidade do azeite. Conversamos muito sobre peixes, que em princípio, vão melhor com azeites suaves e médios. Mas não faltaram ideias para harmonizar os azeites intensos com outros peixes de sabor mais intenso – afinal, a turma é do Maní e criatividade ali existe de sobra.

Salada de quinoa para harmonizar com azeite e amigos

Esta salada, inspirada num tabule, é sempre um sucesso em casa e ajuda a entender como escolher o azeite certo pra seus pratos.

Qual o princípio da harmonização de azeites?

O primeiro princípio é ter um bom azeite. Se você nunca experimentou um azeite brasileiro, pode adquirir o kit com o Guia de Azeites do Brasil e duas amostras de azeites mineiros selecionados pela azeitóloga Ana Beloto. Esta duas amostras são azeites produzidos com a variedade de azeitona arbequina, de dois excelentes produtores de MG: Fazenda Irarema e Borriello.

Os azeites de arbequina são normalmente mais suaves, mas esses dois produtores sabem extrair óleos com personalidade, um frutado delicado que lembra banana e morango e por isso respeitam um princípio importante quando falamos de harmonização de azeites: a similaridade.

O kit Guia de Azeites do Brasil com essas duas amostras de azeite  está à venda no site da editora Livrobits e é um presente bacana ou até mesmo uma boa ideia para brindes corporativos.

Tabule de quinoa com morango

Misture em uma tigela:

1 xícara de quinoa em grãos cozida por 20 minutos em água com sal

1 xícara de morangos picadinhos

1 pepino em cubinhos

1 cebola roxa pequena em cubinhos

1 xícara de salsinha picada

Hortelã, sal e pimenta do reino a gosto

Finalize com azeite à vontade.

Sirva com um vinho branco gelado e harmonize com os melhore amigos que você tiver disponíveis no momento.

 

Compre o Guia, prove o azeite (e descubra 3 curiosidades sobre os azeites brasileiros)

A produção de azeites no Brasil é recente. Algumas tentativas foram feitas no passado mas foi apenas nos últimos 10 anos que a olivicultura se consolidou. Estima-se que existam aproximadamente 300 olivicultores no país, desde grande produtores como Luiz Eduardo Batalha, no Rio Grande do Sul, cujo volume de produção já possibilita estar presente em cadeias de varejo até Luiz Rossini, pequeno produtor da cidade de Santo Antônio do Pinhal que vende seus azeites por encomenda.

O kit Guia de Azeites do Brasil com duas amostras de azeite  está à venda no site da editora Livrobits e é um presente bacana ou até mesmo uma boa ideia para brindes corporativos.

Onde são produzidos os azeites brasileiros?

As oliveiras precisam de frio para produzir frutos. Por isso grande parte da produção brasileira concentra-se no Rio Grande do Sul e nas serras entre Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, particularmente a Serra da Mantiqueira. Mas já há produtores também no Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina.

Azeitona para azeite e azeitona de mesa são a mesma coisa?

Algumas oliveiras produzem frutos mais adequados para extração de azeite. Outras produzem frutos mais adequados para a mesa. E há variedades, como a arbosana, que têm dupla aptidão, ou seja, você decide o que vai fazer com o fruto. Mas a produção brasileira de azeitonas de mesa ainda é bastante pequena.

Dá para visitar e conhecer um olival e um lagar?

Vários produtores estão investindo no olivoturismo. É possível fazer passeios ao olival e degustação na Fazenda Irarema, em Poços de Caldas – MG. Na época da colheita em fevereiro, é possível ver a extração do azeite no lagar. Também há um lindo projeto associado à preservação ambiental na Olibi, em Aiuruoca – MG. No RS, vários produtores recebem para visitas ao olival e degustação dos azeites.

O Guia de Azeites do Brasil 2018 tem uma lista dos melhores passeios em todo o Brasil e agora é vendido num kit com duas garrafas de azeite especialmente selecionadas pela Ana Beloto. Você conhece as histórias dos produtores e ainda experimenta os azeites produzidos aqui.

O kit Guia de Azeites do Brasil com duas amostras de azeite  está à venda no site da editora Livrobits e é um presente bacana ou até mesmo uma boa ideia para brindes corporativos.

 

Bolo de abobrinha com azeite (programa Mulheres da TV Gazeta)

Muita gente assistiu ao programa da Mulheres, da TV Gazeta, e pediu a receita do bolo de abobrinha, uma receita de origem italiana. Como a abobrinha é um vegetal com bastante água, o bolo fica fofo, mas úmido e com uma bonita coloração esverdeada (alô, Palmeirenses!). Fica ótimo se feito com um azeite de frutado intenso.

O que é um azeite frutado?

Já me perguntaram isso nas aulas, ninguém é obrigado a saber, e estou aqui para explicar: frutado não é uma fruta que se acrescenta ao azeite. Azeite extravirgem é um óleo sem nenhum mistura. Por ser obtido de um fruto, a azeitona, o azeite fresco exala aromas herbáceos. São esses aromas que chamados de “frutado” do azeite. Fica mais fácil de perceber se você comprar um azeite bem jovem e fresco. No caso dos produzidos no Brasil, experimente utilizar variedades como a koroneiki ou a picual.

Dica imperdível para bolos

De maneira geral, azeite fica muito bom em bolos a base de frutas ou legumes. Experimente fazer seu bolo de laranja ou cenoura com azeite e você vai perceber a diferença.

No meu livro O Guia de Azeites do Brasil você encontra mais receitas e aprende a provar e reconhecer os azeites.

Ingredientes para a massa do bolo

300 gramas de abobrinha ralada (mais ou menos duas abobrinhas)

250 gramas de farinha

100 de farinha de amêndoa

3 ovos

200 ml de azeite bem frutado

250 gramas de açúcar

1 colher de sopa de fermento

1 colher de chá de baunilha

Ingredientes para a calda

1 1/3 xícara (chá) de abobrinha picada

¾ xícara (chá) de água

½ xícara (chá) de açúcar

7 colheres (sopa) de suco de limão

1 cardamomo sem a casca (opcional, mas faz toda a diferença)

Modo de fazer

Esprema com as mãos a abobrinha ralada para tirar um pouco da água.

Bata o ovo e o açúcar até formar um creme volumoso.

Acrescente as farinhas, o azeite, a baunilha e o fermento.

Por último, incorpore a abobrinha deixando a massa bem homogênea.

Use uma forma bem untada. Este bolo demora um pouco mais para assar. No meu forno, que é elétrico, leva por volta de 50 minutos. Desenforme quando estiver frio.

Enquanto o bolo assa, faça a calda. Cozinhe a abobrinha com a água e o açúcar, em uma panela tampada, até ficar bem macia. Acrescente o suco de limão e o cardamomo e deixe ferver por mais 5 minutos. Retire do fogo e bata no liquidificador até obter uma mistura lisa. Deixe esfriar e sirva sobre o bolo.

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Espere! Não vá embora ainda!

Tenho uma dica super de presente super original para este final de ano. Um kit contendo O Guia de Azeites do Brasil e duas garrafinhas de 50 ml com azeites produzidos em Minas Gerais, na Serra da Mantiqueira.

O kit está disponível para venda na loja online da editora Livrobits.

O que aprendi como jurado de prêmios de gastronomia

Colaborei como jurado na seção de Quitutes da edição especial O Melhor de São Paulo, publicada pela Folha de São Paulo nesse domingo. Com meus votos para esta edição, completo um ciclo como jurado nos principais veículos de imprensa da cidade de São Paulo, com participações no caderno Paladar do Estadão, Veja São Paulo Comer e Beber e O Melhor de SP da Revista Época.

Em 2008, o caderno Paladar do Estadão desafiou os leitores a escrever a resenha de um prato em apenas dez linhas.  Eu deixei para a última hora, estava de partida para a Itália, e arrisquei escrever sobre a refeição do avião. Direto do aeroporto, em uma péssima conexão de internet, enviei meu texto para o jornal. Alguns dias depois, recebo um ligação do Luiz Américo Camargo, então crítico gastronômico e editor do caderno, me convidando para participar no prêmio.

Foi uma importante experiência de estreia: aprender a estudar sobre os pratos antes de ir ao restaurante. Aprender a sintetizar em um texto curto o que é mais importante para o leitor. E, principalmente, aprender com o Luiz Américo sobre o respeito aos profissionais de cozinha por trás do pratos avaliados. Crítica não existe para detonar, existe para guiar o leitor, mostrar tendências e chamar a atenção do chef e do restaurateur para pontos que podem ser melhorados.

Dois anos depois, Arnaldo Lorençato, o experiente editor da Veja Comer e Beber, me chamou para participar como jurado do prêmio da “Vejinha” – que de “Vejinha” não tem nada, porque exige a avaliação de quase 20 categorias diferentes de restaurantes. Para cada uma delas o jurado visita anonimamente pelo menos 3 casas para escolher a que considera a melhor expoente da categoria. Isso significa quase 60 dias jantando fora de casa. É uma experiência incomparável para avaliar de uma só vez comida, serviço, tendências e modismos. Em momentos de dúvida, o Arnaldo, sempre gentil, estava à disposição. Lembro de um dia em que eu liguei para ele: “Arnaldo, a comida é ótima, mas despejaram um quilo de sal na salada, o que eu faço?” O restaurante em questão era a Trattoria Tapo e, baseado numa série de visitas anteriores que tinham sido excelentes, votei na casa como melhor italiano, apesar do deslize no tempero.

Com a edição de Camila Hessel, participei do Melhores de SP da revista Época, de onde trago duas lembranças: a felicidade de ser jurado da categoria Comida Brasileira, e poder fazer uma avaliação de excelentes restaurantes, como Tordesilhas, Esquina Mocotó e Jiquitaia (que levou o prêmio naquela edição). E a felicidade de ser jurado da categoria Sorvetes, que me obrigou a visitar em apenas uma semana todas a sorveterias e paleterias da cidade. Os mais próximos sabem que eu perco o controle diante de um pote de sorvete.

Todos essa experiência foi fundamental quando decidi, em dezembro de 2016, escrever o primeiro Guia de Azeites do Brasil.  Ao escrever sobre cada azeite, incorporei o respeito que aprendi no prêmio Paladar assim como o fôlego e o método que aprendi com o Arnaldo na Veja (aliás, recorri tanto ao Américo, que prefaciou o Guia 2017, como ao Arnaldo, sempre gentil, em momentos de dúvidas que tive durante a redação do Guia).  Também aprendi a lidar com a dificuldade das escolhas e até mesmo com as vaidades de um ou outro produtor, que mesmo resenhado de maneira positiva, esperava uma valorização maior. Nessas horas recorri ao chef filósofo Raphael Despirite, do restaurante Marcel, que disse uma vez: “Prêmio é simples assim: quem ganha comemora, quem fica de fora reclama”.

Prêmios e guias não são definitivos, assim como o mapa não é a estrada. São apenas uma referência para que o leitor encontre, aprecie seu caminho e tire suas própria conclusões. É isso que eu espero como resultado para O Guia de Azeites do Brasil – safra 2018, que está em revisão e tem o lançamento previsto para setembro.

Copa&Cozinha Inglaterra: Sopa Cremosa de Milho

Eu queria, na verdade, publicar uma receita de sopa muito britânica, de cerveja com cheddar (assim como a Inglaterra queria, na verdade, ganhar a Copa do Mundo). Mas o queijo tipo cheddar que se encontra aqui no Brasil é muito distante do verdadeiro cheddar (tão distante quanto ficou a taça para Inglaterra). Pesquisando um pouco, encontrei no site da BBC esta sopa cremosa de milho com frango e espinafre que é tão gostosa, mas tão gostosa, que consola qualquer derrota.

Veja abaixo como preparar e aproveite para cadastrar-se e receber o ebook com todas as receitas do Copa&Cozinha.

Sopa cremosa de milho

Ingredientes

300 gramas de frango cortado em cubos

1 talo de alho poró em rodelas finas

1 talo de salsão picadinho

1/2 cebola picadinha

2 xícaras de folhas de espinafre

300 gramas (1 1/2 lata de milho)

300 ml de leite

1 colher de café de curry

3 colheres de farinha de trigo

2 colheres (25 gramas) de manteiga

Aproximadamente 250 ml de água

Noz moscada e pimenta do reino

Azeite para refogar e finalizar

Modo de fazer

Derreta a manteiga  e acrescente a farinha, mexendo bem com um fouet. Acrescente o leite, sempre mexendo e cozinhe alguns minutos até formar um creme espesso. Reserve.

Em outra panela, refogue o frango no azeite, acrescentando sal, pimenta do reino moída na hora, noz moscada e o curry. Quando estiver macio (mais ou menos 10 minutos), acrescente a cebola e o alho poró e refogue até o alho poró e a cebola ficarem transparentes.

Bata no liquidificador 200 gramas de milho verde com a água. Acrescente à base cremosa, mexendo bem para ficar homogêneo. Acrescente o frango e todos os sucos da panela e, finalmente, o espinafre e o milho. Cozinhe por 10 minutos. Se a sopa ficar muito espessa, acrescente um pouco de água. Corrija o sal e a pimenta e sirva com azeite, cebolinha e salsinha.

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Uma nota sobre o azeite

Usei, para finalizar esta sopa, um azeite aromatizado com limão siciliano da Fazenda Irarema. Hoje, 11 de julho, foi dia de visitar a Expoazeite, feira em São Paulo que reúne produtores de azeite. Aproveitei para rever amigos e buscar alguns azeites para o Guia de Azeites do Brasil 2018, que estou redigindo durante o mês de julho. O Moacir Carvalho Dias, produtor da Fazenda Irarema, me entregou uma garrafa de azeite aromatizado com limão siciliano. Eu normalmente não gosto de azeites aromatizados, mas talvez por ter na própria fazenda uma fábrica de óleos essenciais, o Moacir preparou um azeite muito equilibrado que me deixou surpreso e fez esta sopa ficar ainda mais saborosa.